É de certa maneira reconfortante ser considerado um
cafajeste – importante deixar claro
que ser considerado como um não implica necessariamente que o ser seja
cafajeste na prática, mas o mais importante é saber que ser considerado dessa
maneira incentiva a mudança de conduta, como mentira cem vezes contada. À
primeira vista parece-nos ultrajante, ofensivo, nos envergonha a moral, nos
classificando nos desclassifica, afinal, ao procurarmos o significado
propriamente dito da palavra notamos que é de origem obscura: onde o próprio
autor-nomeador não soube se deixou a nacionalidade de lado devido ao moralismo que pede mistério ou à tamanha
universalidade que pede dissolução. Significando homem de ínfima ou ruim condição,
desprezível e indigno de consideração social, notamos que tem uma vasta
amplitude (um tanto o quanto subjetiva) de significados, aumentando a as
chances que temos de uma hora pra outra tornar-se um.
Ser considerado assim por fim
reconforta os erros, acredite, e ao contrário do que se esperava, finda a culpa, uma vez
que adjetivar o sujeito o coloca numa situação irredutível ligada à sua própria personalidade inegável,
colocando a responsabilidade do sofrimento ou dano na própria vítima, que se
deixou ser lesada como que propositalmente, assumindo amor ou jogo com o
aparente cafajeste, aparente pois quem é
cafajeste mesmo não se deixa perceber (quiçá existe mesmo). Esses são os
melhores. Ou piores, como preferir. Eu, estruturalmente não o sou, não nasci
assim, nasci para a honestidade – logo, para a culpa, mas algumas mulheres
foram me atormentando de desconfianças pelo caminho, acusando-me de ações das
quais não aproveitava, talvez apenas em imaginação, que resolvi unir a forma ao
conteúdo.
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