domingo, 25 de maio de 2014

Intuição


      Há de haver um segredo, um mistério dentro das ações, que as abre, que as conquista. Uma porta por onde passe e se realize as potências, grandes, de arranhar o céu que há por aqui. Talvez tenha alguma regrinha da vida que esteja trancada e eu ainda não saiba abrir, um algorítmo, um código, uma senha, uma palavra-chave, um segredo, um pequeno nó que desatado transcorrerá em fluxo, em luz, em vistas assim para o mar e serei ave - de arranhar os ares, na expansão da visão ampliada, e de ação presentificada, um ir além das ideias.  Talvez o meu corpo não esteja suficientemente forte ou esteja excessivamente forte, talvez haja medo, talvez eu esteja ligada demais à terra ou pelo contrário, dissolvida, expandida no ar - aquele que ocupa, mas não é visto, é transparente, e exige do outro que seja sensível e só assim será grato. Como o ar, que existe e está em todo lugar, sutil para os atentos, mas que tem necessidade de uivos, exageros e certa dose de destruição para os desatentos, o ar, quem o tem não sabe que o tem, o ar, a aceitação da sutileza: a primeira dose do alcançar o vôo, os mil andares, o ecoar chegando aos ouvidos, os cantares anteriores à ação. As penas, o abrir das asas, o peito aberto, um saber sair e voltar para a própria casa, sempre desperta.






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