segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Lembre-se


O orgulho não vai aos velórios.


Flores testemunham, ouvintes dos murmúrios,
veem cair o orvalho dos olhos nos velhos rostos
do Adeus, do Talvez e da Saudade...
Fecha esse caixão, que é tarde…
Amanhã nasce de novo, brilha os olhos do Quem sabe,
seguro pelas mãos da Certeza e da Inocência...

 A Sabedoria distribui flores aos vivos;
o Humor, discreto, não atrapalha -
compreende o cenário, sabe da mecânica dos bonecos;
o Horror em pé se deita, disfarçado, não incomoda;
a Memória conversa e acompanha quase todos à casa;
o Esquecimento acampa nos quintais
E as flores testemunham (o Amor).

Mas o Orgulho não vai a velórios: nunca nada morre,
tudo é para sempre, nunca se despede, nem se despe
de seus ídolos, estátuas de bronze a terra não come?
Não anda descalço, seu sapato magoa o chão, faz barulho,
carrega pedregulhos, nas mãos um bagulho, o orgulho.

Se precisar ele mata, mas nunca nada morre.






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