Azul anil ensaboando o vestido
A anágua desusada como um nunca
A lingerie tímida e molhada
As meias, acessórios que bóiam.
Da torneira jorrava cachoeira abaixo
Num turbilhão de bolhas pequenas
E cheia de promessas cândidas
E amaciantes.
Mal havia metade enchido.
Chegou ele como quem se lembrava
Dela de um lugar distante
Abrindo a porta ao conhecido
Desconheceu-se excitante.
Ofereceu caféáguasucocomgelo
Nada.
Ofereceu cadeirasofácamavaranda.
Tudo.
Aos borbotões sem tempo
Penetrava por ela a tempo todo
Nemsabiaqueeracapazdecaber
Dentrodeumamulhersemnome.
Barulhos, grunhidos e sons
Também sem nomes sorria
Amarelo branco azul violeta
Jamais a cor do vestido seria.
Dura como o sabão em pedra
Escorregava entre as mãos
Do homem sem olhos nem óleos
Agia prático. De simpático parassimpático.
Ela deixou.
Talvez na última gota houvesse amor.
Mas ele seco oscilou por debaixo da porta.
Escorria por ela.
E pelo tanque.
Água limpa. Normal.
Esperava o quê?
Pássaros casamenteiros?
Ou a descoberta da rotação terrestre
No sentido em que líquidos somem pelo ralo?
Já sabia disso. Vivia tonta mesmo.
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