sábado, 21 de janeiro de 2012

Uma guerra




Azul anil ensaboando o vestido

A anágua desusada como um nunca

A lingerie tímida e molhada

As meias, acessórios que bóiam.



Da torneira jorrava cachoeira abaixo

Num turbilhão de bolhas pequenas

E cheia de promessas cândidas

E amaciantes.



Mal havia metade enchido.



Chegou ele como quem se lembrava

Dela de um lugar distante

Abrindo a porta ao conhecido

Desconheceu-se excitante.



Ofereceu caféáguasucocomgelo

Nada.

Ofereceu cadeirasofácamavaranda.

Tudo.



Aos borbotões sem tempo

Penetrava por ela a tempo todo

Nemsabiaqueeracapazdecaber

Dentrodeumamulhersemnome.



Barulhos, grunhidos e sons

Também sem nomes sorria

Amarelo branco azul violeta

Jamais a cor do vestido seria.





Dura como o sabão em pedra

Escorregava entre as mãos

Do homem sem olhos nem óleos

Agia prático. De simpático parassimpático.



Ela deixou.

Talvez na última gota houvesse amor.

Mas ele seco oscilou por debaixo da porta.



Escorria por ela.

E pelo tanque.

Água limpa. Normal.



Esperava o quê?

Pássaros casamenteiros?

Ou a descoberta da rotação terrestre

No sentido em que líquidos somem pelo ralo?



Já sabia disso. Vivia tonta mesmo.

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