quinta-feira, 19 de maio de 2016

(Carnaval)

                                                                                                       





As ruas cheias e breves, como a vida, e eu comovida.

Enquanto todo o mundo está lá fora,
Aqui dentro o mundo me toca,
Viola própria, canção. 
Faço festa na casa vazia, celebro exceção,
Meu carnaval não tem hora e
Mora dentro de mim, fora da lei.

Lá fora dança dos imóveis, móveis,
Aqui dentro na companhia dos móveis, imóveis,
Eu canto 
Às casas vazias,
Aos bebês que dormem
(esperando carnavais).
Me divirto ouvindo o silêncio, uníssono e polissêmico, o mundo!

Besouros cegos andando em gatos pardos! Mariposas coloridas, borboletas cinzas! Vagalumes envoltos em bichos da luz envoltos em sombras de morcegos, tonteria, carnaval igual!

A festa é sempre, o caos é sempre, a ordem civil é mentira, senhores, meu carnaval não tem hora, é bíblia rasgada em silêncio eterno, antes lerei as árvores, grandes mitos da natureza, dançarei nas folhas, comerei as frutas, transo o corpo da árvore, o beijo de Deus formiga em mim, carnaval!

O pecado da carne para mim é pouco.  



Nenhum comentário: