segunda-feira, 2 de agosto de 2010

E tudo volta ao seu lugar. Para que tenhamos a chance de mudar os acontecimentos, de refazê-los. Não que as coisas se repitam inteiramente, não é uma volta ao passado, e sim de analogias. É algo sutil, que só percebemos se treinarmos a observação em nossa vida, em seus pequenos detalhes.
Sempre temos chance acertar.

Talco

Num sapato apertado
agoniza à falta
de ar... chulé
nada mais é
de que um grito abafado.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mordida

Procurando por ruas magras 
me aparece por entre as cortinas
uma lua gorda.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

POR ONDE ANDA O ÓCIO?

Desde quando o ócio anda?
                                                          Tem preguiça...



No som de ninar
da chuva que cai
e que do chão não passa.

Nos cobertores macios,
ursos felpudos
que grudam bolinhas nos cabelos.

Em cima
ou embaixo da cama?

No engenhoso recusar
do encontro de guarda-chuvas:
"Diz que não tô"
num cochicho depois bocejo.

Num andar (vê se pode!)
de meias 
brancas,
ao menos enquanto dorme

Entre palavras
do poema?
Marca-página, vai...

Mentiras

                                                   Mentiras?
                            A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.
                                                     (Mário Quintana)



Lili vive no mundo do Faz-de-Conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzuuu... Depois aterrissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está o mocinho? Meu Deus! Onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para a cama, à força. E o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta que era mesmo uma lata de sardinha.


                                                                                   Mário Quintana
                                                                                            
      

terça-feira, 6 de julho de 2010

                                                    [...]                 (Quase em choro)
Luara - Promete que vai se cuidar... tomar todos os remédios... Você vai se cuidar? Promete?
Alice - Eu prometo. (abraço) Eu vou durar muito ainda, você vai ver...
Luara - (interrompe, magoada) Não fala isso! Você não é um pote de geléia pra durar...
Alice - É mesmo. (ri, desconcertada) Desculpa, bobeira minha, todo mundo dura, não é mesmo? (Pequeníssima pausa) (em animação) Vamo tomá café comigo?!
Luara - (sorri concordando)
Alice - Tem geléia...
                                                                    (As duas riem)



                                                                                    Mariana Pozatto (Luara)
                                                                                    Talitha Borges (Alice)

                              Parte de trabalho realizado em conjunto, aula Improvisação: A palavra.



                                                                      
                                                   

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Elemento neutro. Elemento surpresa. Elemento individual. Elemento incoerente. Elemento que prefere enxergar um de cada vez. Elemento observador. E por isso já foi taxado de inativo. Elemento medroso e criativo. Elemento que luta. Elemento que muitas vezes foge da efusão das festas por já haver efusão em seu corpo. Por gostar da calmaria de olhos. Elemento camaleão. Qual sua cor? Verde manchado de cinza ou cinza manchado de verde? Quem descobrir ganha um amigo de calor e de frio. Luz de ribalta. Que tal uma pizza? 

Mãos na massa de modelar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Entre Uns e Outros

"[...] Um homem que rouba nunca incomoda um homem que pede. O mendigo é a paródia inocente do ladrão. O ladrão é um mendigo vaidoso. Entre nós não surgirão rivalidades. O senhor tem coragem, arrisca-se. Eu tenho filosofia, entendo a mão. Sou mais comodista. O senhor conta, no meio dos ancestrais, Alexandre, Napoleão. Eu descendo humildemente de São Francisco de Assis."

                                                                    Um dialogando com Outro.



           ( Trecho da peça teatral "Adão, Eva e Outros membros da família", de Álvaro Moreyra)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que lhe parece?

Porque enfim podemos brindar,sim,com água mineral. 

                                       (Claro que isso não deixa de causar medo)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ensaio positivo

Querendo ser o que não fui
fiz-me ser o que não era
nessa procissão cautelosa
de levar adiante.

Caminhos de rosários desenrolados
por cima de pouca (muita) fé:
Pé ante pé, por dentro
um olhar abafado.

Estou aqui.
E (quase) ninguém me tira.
Só ela.


                                              Alice  

                                                                   (Criatura cênica. E vive.)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cantos, cortinas e o vento

                                                               Acorda comigo,
                                                                                    vem sonhar,
                                                                                    Quem disse que amor não existe?

                                                                                    Onde não se usa cobertas,
                                                                                    em seu lugar cortinas
                                                                                    para que em nós - janelas -
                                                                                    entre a luz que vem do mundo.


                                                                                     (Talitha B.)





Imagem limitada
na verdade transborda
como água
em meio enxurrada
até que encontra
parede rachada


lado perdido, talvez o lado
sem lado,
talvez lado que não exista
que talvez passou para o
lado de lá
talvez o lado que não tenha paredes erguidas
paredes que não tenha chão ao todo


uma casa, uma ilha,
uma casa ilhada
uma ilha chamada casa


uma casa cercada de água por todos os lados
lugar cercado de casas por todos os lados
lugar cercado de lodo por todos os cantos
os cantos cercados por lembranças....
daquilo que encanta


                                            Gabriel Moraes

domingo, 13 de junho de 2010

Descuido poético

                                            

                           "Ter é a pior forma de gostar; gostar é a melhor maneira de ter."
                                      José Saramago



Não vires poesia...
Não seja apenas da minha imaginação
fruto que de mim ria!

Contenha-se.
Não se torne versos!
Que nada mais será que lenha se
olhares o branco papel reverso.

Não se permita escorregar 
de minha caneta...
me chame pra dançar
girando a maçaneta...

Ah! Não te faças de soneto...
em rimas não te quero: 
te ouvir, apenas, em som no coreto
vê se vale assim tanto esmero!

Não vires poesia...
Essa coisa inventada
que não sobrevive ao dia
e dum desvario faz-me encantada.

Sejas real nessa parte
Pois está a reclamar de cansaço o eu-lírico!
Reinventaremos a arte
no próximo descuido onírico...






quarta-feira, 2 de junho de 2010

"Aqui está"

                                      Andei lendo
                                              relendo ao relento
                                              que de tão rápido adormeci:
                                              chacoalha que acorda
                                              numa toalha de café-piquenique
                                              xadrez sem cheque-mate,
                                              apenas chá.

                                                                                                                      (Talitha B.)
    


                                                      
Palavras, sonhos,
devaneios, pesquisas,
esquivas da vida
tudo de verão, frio,
calor, inverno,
flagelo, flama,
gelo, forma de gelo,
relâmpejo, sim e
não e então?
então como
coisas de coisificação
passeios sem razão
e agora que sei de
alucinações, ações,
realizações
e tanto mais com ões,
grilhões
o fim no fim
do corredor
o corredor no
meio do fim
o meio-fio no fim
do meio
assim.
             Gabriel Moraes

terça-feira, 1 de junho de 2010

Segredo 3 (!)

Borboletas são flores voadoras

                 voa,
        Voa,                                          .
Pousa em mim passarinho             .
Que devia se chamar passaninho.

Flores são borboletas com preguiça
Es      gui 
    pre      ça
Beija-flores a carregar casulos:

descobriu-se o segredo da lagarta.


   

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Saudades em pó

                                                                                               Para Danilo Gois




  No cair da noite
  amanheceu minha saudade,
  transpondo-se em linhas 
  e linhas melodiosas:
  escrevi-lhe.

  Correram as linhas como estradas
  a ultrapassar as margens
  do pardo envelope,
  faces seladas a galope.

  (Lembranças da idade
  a viajar de cidade.)

  E na grande repartição
  Correspondente
  milhares delas esperarão
  na rodoviária de seu destino
  Antes remetente.

  Maria, responsável pela separação,
  de mal-humor acordou
  e no trabalho de um tropeção
  a pilha de cartas derrubou.

  O conjunto de linhas melodiosas
  ao relento e num descuido,
  embaixo do armário
  empoeirado se instalou.

  Rosnou o cão,
  rosnou o tédio,

  latiu à falta do carteiro que não chegou.

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das mães

- Você só é mãe por minha causa!
- Você também só é filha por minha culpa!
- Ok, estamos quites.
                                 (abraços)

sábado, 8 de maio de 2010

                Gabriel Moraes.



Estranho pensar
que só posso
armazenar um
x de informações
e que aqueles
pensamentos bonitos
e orgânicos as
vezes foram algo de
momento e que
não deixa de ser
o que me faz ser
cada vez mais aquilo
o que não
sou
e de repente apareço
sem lembrar daquela luz
que guiou meus
dedos dos pés que
somente passei a
enxergá-los quando
senti cair a imensa caixa
da altura do meu nariz
ao primeiro fio de cabelo
do chão

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"O palhaço é um homem todo pintado de piadas..."

sábado, 1 de maio de 2010

Como respeitar o meu próprio tempo e velocidade? Boa pergunta... não muito boa quando se têm metas a alcançar em datas determinadas e quando se sente que imprevistos e cansaços não serão levados em conta. O que importará é o levante coletivo e ação comum que levará à realização de um desejo, que não é o meu, mas deveria ser.

Um desejo que não é o meu justamente pelo seu dever embutido. Um dever de reconhecimento e participação, de capacidade e boa-camaradagem.

Mas sei que a culpa não é de ninguém, isso já aconteceu... é uma percepção recorrente e irritante que impede de dizer não e dizer sim. Lá vou eu. Já está em tempo. De respeitar meus limites sem por isso limitar-me.

A apreensão de um pequeno mundo torna o mundo gigante.