Lá estávamos. A sós, finalmente... prontos um para o outro... com um desejo impaciente de senti-lo derreter dentro de mim... E lá estávamos no banheiro da escola, fugindo loucamente dos voyeurs de plantão e da tal legislação da tal escola que não permite certos atos durante a aula... Ok, confesso ter sido um ato de extremo egoísmo... não queria dividí-lo com mais ninguém, assumo com certa culpa discreta. Saciar. Só isso importava... e que fosse para o espaço a prova semestral, juntamente comigo para as estrelas...
Prontos um para o outro... o medo de um fim do mundo precoce nos desajeita, a saliva acumulada me tenta escorrer por entre o canto dos lábios e queixo... a escolha: o último box do banheiro, obviamente, bem... nem tanto, afinal o trinco quebrado de acelerar mais ainda os corações. Arranco, rasgo sua roupa... embalagem frágil e fácil... com certo amor violento e pseudoeterno devorá-lo vou...
O chocolate derrete com o calor de minhas mãos, vou levá-lo à boca... e numa fração de segundo escorrega de minhas mãos rosadas, tento em vão e com desespero evitar tal fim e desastre apertando-o com toda força de minh'alma:
Ele cai dentro da privada e eu num precipício de amargura. Levo as mãos à cabeça em suor, por um segundo penso em salvá-lo... hesito. Olho para a porta do banheiro e lá alguém escreveu a fórmula da velocidade gravitacional. Lembro-me do Alpino que está em meu bolso e tranquilizo-me. Enxugo uma lágrima que cai, misturado com o suar da emoção. Não olho para trás.
Texto original escrito em 18/09/2006, com edição atual.
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