sexta-feira, 26 de abril de 2019

Segurança





Caminho como quem tem uma faca 
cravada no peito: a minha ingenuidade.
- Vai doer muito mais se eu tirar -
Esse estado de palhaço e seus mil anjos
Dentro, fora, acima, abaixo, atrás, à frente.

Soubesse eu aonde daria esse caminho
e o perigo viria me rondar, certamente,
e no momento em que nomear as minhas pérolas,
surgiriam os assaltantes,
eu teria lei!

Por isso passo por cima dos perigos,
como quem desconhece as diferenças
e a sombra também não me diferencia,
em mim confia, não julga, não me atormenta.
Nem deus me atormenta, pois não sei de nada
e aceito o caminho como se tudo fosse normal.

Caminho com todos os meus direitos naturais
e isso é chocante como uma ferida
no entanto,
com a faca já cravada no peito ninguém irá me matar:
é a lei do bom senso .

Eu caminho com meu peito aberto,
sem sofrer, e isso sim é fantástico:
espero o momento de atravessar a rua,
pego o ônibus sem deixar ele me pegar,
faço o caminho errado, encontro poetas,
toco o instrumento do acaso e enfim
estou em casa.

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