Enche
enchente
encher
o céu
cedeu
cedo
o suor
saiu
e soube
voltar
a ser
o que
sempre
Foi
Gabriel Moraes.
Glub - Glub
Glub - glub...
diz o peixe
e enfim o paulistano
de água doce -
Nem tanto.
Rios-marginais
a vagar entre rodas
cálidas e descalibradas
glub - glub...
Que sertão vai virar mar o quê!
Borbulham num instante
outdors de chamamento
a cursos natatórios:
GLU-GLUB ITINERANTE.
A menina no carro chora
ao ver seu sonho afundar
Glub - glub...
- Vê se pára menina!
De com mais gotas colaborar!
- Olha o guarda-chuva!
Cinco reais! Baratinho minha gente!
Vem acoplado com caixa
de armazenamento inteligente!
Vem - pra - cai - xa - vo - cê - tam - bém!
- Glup!
São Pedro, já com certos males
da idade
não aceitou tal preceito dito
na modernidade:
Apenas dois litros por dia!
Bendita santidade!
Navegar é preciso,
Viver não...
Já dizia o poeta na areia
de congestionamentos em vãos
de fumaça.
Navegaremos então...
Solucionando literalmente o problema
Transformando-o em solução...
Glub - glub...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Diário
Uma agenda...afinal, o que fazer com isso? Faz anos que não tenho uma... ela me remonta à época dos meus diários, imensos, detalhados e emocionantes! Como as minhas horas eram, até o tédio era mitológico e dramático!
Mas por fim não sei usar esse bagulho, não será um tanto quanto desperdício de papel? Não se usa todas as folhas da agenda, nem todas as linhas... e se usa a gente fica condicionado, sabe...
De repente, uma agenda: então lota-se de compromissos, coisas a serem feitas, alimentações balanceadas imaginárias, encontros e consultas médicas! Aaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Bom mesmo são as agendas telefônicas, elas dão segurança... não têm chips que pifam e nem molham com tanta facilidade. Mas não contêm a tecla excluir...
Mas darei u jeitinho! Um jeitinho de fazer que ela sirva além do que um local para se colar adesivos e fazer orçamentos do mês.
sábado, 9 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
Sobre o molhado... a sede
As pessoas podem ser classificadas a partir das bebidas que tomamos com elas. Afinal, não se toma qualquer coisa com qualquer um...claro que essa escolha nem sempre é consciente, mas há sempre aquela pessoa que tem tudo a ver com a espiritualidade que traz tal líquido.
A começar com um exemplo curioso: só há um apessoa com quem compartilhei a mistura café quente com limão e manteiga (em pequenas doses, é claro), e essa pessoa é a minha avó. Segundo a própria, essa mistura (exótica) era um santo remédio pra tal da rinite, da qual eu tinha crises horríveis (mais horríveis que o café com manteiga), então lá estava eu sempre a tomar o tal café/xarope. E minha avó me acompanhava, não por ter rinite, mas para me encorajar. E não é que por fim acabava ficando até gostosinho o tal troço, e minha avó se esforçava para segurar a careta e eu nem um pouco. Isso nos unia, enfim.
Há na bebida, quase sempre, um sentido de união: compartilhar o canudinho; beber no mesmo copo; brindar à vida; mobilização de todos da mesa quando por acidente derrama-se o líquido que escorre para o chão; açúcar ou adoçante?
Vejamos o caso da cerveja: aquilo, definitivamente, não é gostoso, se levarmos em conta o paladar amargo; no entanto, determinadas pessoas conseguem transformar esse líquido gelado em cálice divino. São as que tem aquela presença filosófica, que se intensifica ainda mais, transformando o ato de brindar em religiosidade. Aquelas que bebem a mesma quantidade, no mesmo espaço de tempo, respeitando a sintonia da conversa, corporal ou literal. As pessoas para se beber cerveja são as capazes de mudar o sentido da rotação terrestre - ou colocá-la em seu lugar.
Ah!... e as acompanhantes para o chá... chá quente, no caso. Abrindo aqui um parênteses, tomo nota de certa artificialidade que há no chá de saquinho, aquele que vem em porções indeividuais e que é sempre um mistério o conteúdo do simpático recipiente - alguém já experimentou abrir um? Por isso, apenas meio viva! à praticidade. Essas pessoas - enquanto estamos a dividir o líquido fumegante - nos transmite a efêmera sensação de calma e tranqüilidade. Impressão errônea. Essa reunião para o chá é apenas uma maneira de acalmar a água fervente que borbulha dentro de nós, e também de controlar nossa brutalidade física treinando em xícaras de porcelana. Sorvemos o chá e evaporamos segredos.
Já experimentou chamar alguém para tomar iogurte? Os iogurtes são engraçados, especialmente na hora do bigode tão característico e essencial, aquele que vai fazer a sua companhia rir e tentar te avisar de tamanho descuido. Se quiser chamar alguém para esse tipo de bebedeira, prefira aquelas que não dispensem um bom passeio pala infância - que pode ser de morango, frutas vermelhas ou pêssego - e queira rir e gargalhar com as cordas vocais amaciadas pela lactose.
Pois vamos então aos destilados, essas bebidas alcólicas extremamente ácidas para o estômago e básicas para os corações. A primeira dose nunca é aclamada sem que - ao menos - uma das partes participantes deseje quebrar ou criar rachaduras nas moralidades paralisantes... a seu próprio favor ou em favor dos favores do outro... Os destilados devem ser utilizados com moderação, devido aos potenciais, às vezes obscuros, que são capazes de trazer à tona. As pessoas para se compartilhar são as que te dão um bom dia feliz no dia seguinte e/ou que saibam rir com sinceridade de todas as baboseiras sinceras ditas no momento em que as doses foram abolidas e o gargalo tornou-se a medida exata.
Poderia ficar dissertando durante páginas e mais páginas seguidas sobre líquidos interessantes, refrescantes, aconchegantes, até preciosos, tamanha é a variedade de seres humanos e a necessidade deles em se hidratar. Desde a tão capitalista e prazerosa coca-cola até aquela água de torneira pedida no bar em dia de calor e de falta de moedas; ambas tomadas sem real conhecimento do que estamos a ingerir... entre milhares de outros líquidos conhecidos e deconhecidos... que enfim não daria conta!
Mas não poderia deixar de citar o que é exceção entre todos. Tomada em porções pequeníssimas e singelas, milimétricas...salínicas eu diria; costuma-se não ser compartilhada na degustação, por ser bebida customizada. Preferem-se os tecidos macios a tolherem os seus excessos, travesseiros, lenços, golas de camisas e similares, jamais o copo: eis aí as lágrimas. Fabricadas quando inevitável mar aquoso invade os olhos de sede, depois de tantas bebedeiras ou não.
Saúde!
Ah!... e as acompanhantes para o chá... chá quente, no caso. Abrindo aqui um parênteses, tomo nota de certa artificialidade que há no chá de saquinho, aquele que vem em porções indeividuais e que é sempre um mistério o conteúdo do simpático recipiente - alguém já experimentou abrir um? Por isso, apenas meio viva! à praticidade. Essas pessoas - enquanto estamos a dividir o líquido fumegante - nos transmite a efêmera sensação de calma e tranqüilidade. Impressão errônea. Essa reunião para o chá é apenas uma maneira de acalmar a água fervente que borbulha dentro de nós, e também de controlar nossa brutalidade física treinando em xícaras de porcelana. Sorvemos o chá e evaporamos segredos.
Já experimentou chamar alguém para tomar iogurte? Os iogurtes são engraçados, especialmente na hora do bigode tão característico e essencial, aquele que vai fazer a sua companhia rir e tentar te avisar de tamanho descuido. Se quiser chamar alguém para esse tipo de bebedeira, prefira aquelas que não dispensem um bom passeio pala infância - que pode ser de morango, frutas vermelhas ou pêssego - e queira rir e gargalhar com as cordas vocais amaciadas pela lactose.
Pois vamos então aos destilados, essas bebidas alcólicas extremamente ácidas para o estômago e básicas para os corações. A primeira dose nunca é aclamada sem que - ao menos - uma das partes participantes deseje quebrar ou criar rachaduras nas moralidades paralisantes... a seu próprio favor ou em favor dos favores do outro... Os destilados devem ser utilizados com moderação, devido aos potenciais, às vezes obscuros, que são capazes de trazer à tona. As pessoas para se compartilhar são as que te dão um bom dia feliz no dia seguinte e/ou que saibam rir com sinceridade de todas as baboseiras sinceras ditas no momento em que as doses foram abolidas e o gargalo tornou-se a medida exata.
Poderia ficar dissertando durante páginas e mais páginas seguidas sobre líquidos interessantes, refrescantes, aconchegantes, até preciosos, tamanha é a variedade de seres humanos e a necessidade deles em se hidratar. Desde a tão capitalista e prazerosa coca-cola até aquela água de torneira pedida no bar em dia de calor e de falta de moedas; ambas tomadas sem real conhecimento do que estamos a ingerir... entre milhares de outros líquidos conhecidos e deconhecidos... que enfim não daria conta!
Mas não poderia deixar de citar o que é exceção entre todos. Tomada em porções pequeníssimas e singelas, milimétricas...salínicas eu diria; costuma-se não ser compartilhada na degustação, por ser bebida customizada. Preferem-se os tecidos macios a tolherem os seus excessos, travesseiros, lenços, golas de camisas e similares, jamais o copo: eis aí as lágrimas. Fabricadas quando inevitável mar aquoso invade os olhos de sede, depois de tantas bebedeiras ou não.
Saúde!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Questionário
Sempre há um certo incômodo ao tentar responder à pergunta: " POR QUE VOCÊ FAZ TEATRO?". Como organizar e exteriorizar concretamente em palavras algo que se sente e isso basta?
Ao ouvir tal pergunta tenho enorme medo de me trair, pois os motivos não se resumem um uma resposta e sim num grupo de conjuntos diversos de respostas e sentimentos e prazeres e vontades revolucionárias. E então me embolo toda e não respondo coisa alguma! Mas afinal, por quê?
Vou tentar responder, mas antes preciso explicar que antes teatro pra mim era uma coisa, e isso no sentido em que eu via uma coisa só, e com todas as ampliações de percepção que ocorreram esse ano, percebi enfim sua multiplicidade, gerando um entendimento dos recursos do imaginário.
Em primeiro lugar, fazer teatro é a maneira que encontrei (uma das) de expandir toda essa imaginação que faz parte de mim; de transformar em realidade momentânea idéias mirabolantes; de viver além da vida; de ser mais do que sou e voltar à realidade sempre diferente de antes.
Em seguida vem a vontade de revolução, a fé na mudança pela erte, indiretamente. A vontade de soltar o nó da garganta, gritando sutilmente coisas que insistimos em não ver... ou nos ensinam a não ver... e fazer isso com gritos belos e nem por isso fracos. E pensando isso como questão social mesmo, melhor dizendo, humana, como porta para reflexões críticas e modificações concretas no di-a-dia de quem vê e faz.
E por fim (nem tanto assim...) percebi que o teatro é uma das maneiras que escolhi para lidar com a arte, assim como me é a literatura. A arte como artifício de desenvolver prazer, atitude e generosidade. Por ser uma arte que nasce da tentativa de ser completa, por sempre haver a possibilidade de unir sonoridade, plasticidade, corporiedade, literatura, imaginação e possibilidade de realidade, enfim.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Poética
de Manuel Bandeira,
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Gerenciamento de dardos
Oh! Insuportável retidão
que te espreme
ante muros de Berlim.
Sorrisos brancos
delicadamente pelos fios dentais
Antes a mordida.
Antes a fome.
Ah! Inalterável honestidade
casta:
recomenda-se aos cachorrinhos ao nascer.
Oh! Insuportável retidão
nunca abandone o guarda-chuva
ácido de um sermão...
e dos meteorologistas a previsão!
Viva dos frutos com moderação:
afinal,
das sementes
no estômago árvores crescerão...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Minúcia
Já era mais de meia-noite
quando seus pés caminhavam
- doloridos e desconfiados -
na ânsia de uma cama.
Enquanto isso,
outros pezinhos - de leve
a seguiam.
Rugas na testa pendiam
a controlar os olhos que ardiam
de sono em excesso
de luz.
Enquanto isso,
outros olhinhos - no escuro
Fosforeciam,
e com certa obstinação
àqueles amoleceriam.
Um roçar suave nos tornozelos
Estancou os seus passos
e ao olhar para o chão,
um ser vivo pedia um abraço.
(Aos poucos,
a olhar a lua que ria,
tornar-se-ia
ser vivo também.)
Num colapso da razão,
e com a ternura num crescente
arranhões pelo medo
de delicada penugem que se sente.
(Ignorou seu próprio banho
ao amar tal criatura
de odor tão estranho
- e achar tão bom! -)
À sua condição maternal
revelou-se anti-natural,
antes assim do que da mesma espécie
Animal.
Não era seu,
o leite a jorrar na tigela
- Mas era -
Dava-lhe, pois, longa vida
Ao longo de todas as sete.
Entre ronronares e minúcias
Escapou, deixando-lhe uma porção de astúcias.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O caso do vestido - Geyse Arruda
Era caso, no máximo, para cair nos patrulhamentos de estilo e aparência, nos reality shows que proliferam vendendo a ilusão de que todos podemos nos adequar esteticamente aos padrões vigentes sacando o cartão de crédito e transformando em beleza certificada a abstração do dinheiro. Era isso, no máximo. Mas virou questão de segurança, e a polícia teve que escoltar Geyse Arruda em sua saída da universidade.
A cena gera muitas questões, apesar da sua aparente banalidade (ou não?). A extravagância – ou apelo à sensualidade – da moça foi punida com uma reação em cadeia. Nos programas de TV e de rádio, foi expediente comum os jornalistas incentivarem estudantes da Uniban, ou mesmo os ouvintes e espectadores, a se manifestar sobre o assunto. Era caso para isso? Obviamente, não poucos tentaram justificar o ocorrido comentando a inadequação da vestimenta da moça. Então, vamos a isso primeiro.
Muito se fala do poder e da liberdade da mulher contemporânea, em suas conquistas quando comparamos o papel social feminino em relação ao que já foi anteriormente. Mas em um aspecto, creio, a mulher ainda sofre as mesmas cobranças – talvez mais – do que no passado: a sua aparência. As “maravilhas” da ciência, parece, vieram complicar um pouco as coisas... Diariamente nossos olhos são invadidos por “modelos de perfeição” inatingíveis, corrigidos pelas mãos de esteticistas, maquiadores, cirurgiões, editores de imagem e por aí vai. Desde pequenas, assistindo a programas de televisão, vendo as revistas em bancas, as meninas espelham-se em imagens de garotas que nunca têm um fio de cabelo fora do lugar, nunca transpiram, nunca engordam... Quando enfrentam as mudanças da adolescência, é fácil que se sintam frequentemente inadequadas e queiram se aproximar daqueles modelos. “Magra, linda e feliz” é o que as revistas de fofoca colocam como subtítulo das fotos das “mulheres bem-sucedidas” em destaque na mídia. Toda essa digressão porque a imagem de Geyse Arruda nos noticiários conota um esforço para enquadrar-se nesse padrão, que se opõe à ideia de “beleza natural”, “espontânea”. O desejo de ser bela, poderosa, provocante – como qualquer adriane galisteu dos shows televisivos – parece ter moldado o figurino da estudante.
De um lado, a femme fatale que, vestida para a balada, abalou. De outro, os colegas e funcionários da faculdade que hipocritamente se sentiram no direito de mostrar (ou forjar) indignação. Se ela existisse, seria porque todos consideravam que se vilipendiava um sagrado templo do estudo. Pois é, o que inviabilizaria o coro de gritos e palavrões, e o tom geral de “estamos matando aula” dentro do referido “templo”. Talvez, de forma injusta, eu vislumbre nesse ato de vandalismo o indício de um respaldo da universidade ao comportamento dos alunos, ou melhor, clientes. A educação, tratada como mercadoria, tem recebido o aval oficial do Ministério da Educação, que observando o fracasso do ensino fundamental e médio nas escolas públicas, faz vistas grossas aos “atacadões” de ensino superior particular. É como se fosse um pacto: nós, universidades particulares, oferecemos preços razoáveis e deixamos todos os jovens (que puderem pagar) ingressar em nossos cursos, sem exigir qualquer competência acadêmica prévia; vocês, do governo, fingem fiscalizar nossas práticas. E dá-lhe demissão de professores doutores após reconhecimento do curso, dá-lhe bibliotecas “alugadas” para agradar ao MEC, dá-lhe ausência de planos de carreira para funcionários e esquemas de facilitação para manter os alunos ativos, pagando mensalidade. Não admira que o ocorrido demonstre o quanto os nossos jovens estejam incertos sobre o sentido da educação, do respeito e da democracia.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Conectividade
Saudades rudes
Impaciências grosseiras
Menina suave.
Olhos verdes de ódio
Cílios de um prazer azul
Pálpebras preguiçosas.
Tanto assunto
Num teclado sem letras
Sem perfumes
Sem suor
Nem bafo.
Um vídeo
Uma voz
Um e-mail
sábado, 21 de novembro de 2009
Céu aberto
"Você tem um clima bom", disse, completamente apaixonada por aquela beleza simples, pelo sorriso franco e jogado, pelos olhos nunca vistos tão claros, mesmo sendo escuros. E ela não dizia quase nada, bastava sua presença quase despreocupada, seu cabelo preso com o elástico o mais frouxo possível, seu rosto sem maquiagem e brilhante pelo calor. Enquanto ela simplesmente esperava a próxima hora chegar, inspirando devagar o presente, assistia ao meu desespero ao perder o controle das horas... e espera, com toda a compreensão, que eu me aquiete, e espera sem saber que espera.
E sem perceber, virou poesia.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
N coisas
Silábica extremitante
vogal seguida de bocejo
perna, ossos e braços
nada que tem fim
tudo que tem direito
direito tudo que tem esquerdo
suponho tudo que tem desfecho
ai como sinto falta de andar
andar naquelas ruas descalço
pois já ia voltar rápido pra casa
só de tarde ia sair e arrumado
eu era feliz, hoje ainda sou
e até mais com todas essas
novas formas de percepções
mas era uma felicidade diferente
uma diferente feliz idade
Gabriel Moraes, também fotógrafo
vogal seguida de bocejo
perna, ossos e braços
nada que tem fim
tudo que tem direito
direito tudo que tem esquerdo
suponho tudo que tem desfecho
ai como sinto falta de andar
andar naquelas ruas descalço
pois já ia voltar rápido pra casa
só de tarde ia sair e arrumado
eu era feliz, hoje ainda sou
e até mais com todas essas
novas formas de percepções
mas era uma felicidade diferente
uma diferente feliz idade
Gabriel Moraes, também fotógrafo
http://www.flickr.com/photos/brielmoraes/
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
"Quando entro em contato com tais assuntos, não me admiro mais de que haja tantos loucos e birutas no mundo; me espanto é de ver o grande número de pessoas que conseguem ser mais ou menos normais e viver dentro de certas regras, beijando as mãos das damas sem mordê-las e deixando um automóvel passar sem lhe jogar uma pedra."
Rubem Braga, trecho da crônica "Amemos burramente"
sábado, 7 de novembro de 2009
domingo, 1 de novembro de 2009
Jantar envenenado
texto do meu grande amigo Carlos de Souza, poemado em conjunto.
Vivem pessoas hipocondríacas.
Há um ambiente úmido e fedido
para as suas salivas propagarem
Com suas exalações altas,
Dramáticas
e misericordiosas
Para os que querem
Experimentar esse veneno
Salivante de vozes
Berrantes
Clamando pelo horror
e ao mesmo tempo
Pelo esplendor Horroso.
O convite não é feito:
as aclamadas vozes sobrepõem
a sua penosidade em favor
Da arte dramática.
A Sua participação é neutra.
Como veneno de morfina:
Não mais a dor senão apenas a mente para entender o sofrimento.
E a praga instala-se.
(Em você?)
(Em você.)
Vivem pessoas hipocondríacas.
Há um ambiente úmido e fedido
para as suas salivas propagarem
Com suas exalações altas,
Dramáticas
e misericordiosas
Para os que querem
Experimentar esse veneno
Salivante de vozes
Berrantes
Clamando pelo horror
e ao mesmo tempo
Pelo esplendor Horroso.
O convite não é feito:
as aclamadas vozes sobrepõem
a sua penosidade em favor
Da arte dramática.
A Sua participação é neutra.
Como veneno de morfina:
Não mais a dor senão apenas a mente para entender o sofrimento.
E a praga instala-se.
(Em você?)
(Em você.)
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