Pequeninos sapatos
jo gad os
esquentando o chão suavemente
num sol colhido à noite
como um buquêt.
Sapatinhos
quase
de cristal a latejar
nos olhos
quando do sonho acordar...
Agora ainda é possível
seguir seu rastro o o
caminhada derretida...
de um solado quente.
A menina dorme
e sorri.
Toda ela flores.
Toda ela abóbora.
terça-feira, 20 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Divagações de uma principiante (Depoimento)
"1º dia na Unicamp...
Não tenho onde morar
Estou com fome
Estou com sede
Estou com vontade de fazer xixi
Se chover estou ferrada
Já perdi a conta de quantas vezes eu já molhei meu tênis: ele está fedendo à cachorro molhado...eu toda estou, eu acho...
Nossa, eu paguei o maior mico na "aula" hoje, tá bom que não era aula, mas não sei se isso piora ou melhora a situação... só português... Puts, tenho que dar um jeito de aprender inglês... se não vou ter muitos problemas...
Ai Ai... Espero que minha mãe não fique com raiva por eu ter esquecido o celular... pelo menos não com muita raiva.
Se ao menos eu tivesse com meu livro a hora iria passar rapidinho, iria voar, decolar! Eu adoro ler, estou me sentindo um peixe fora d'água. Universidade é um porre, tipo, eu queria algo mais sério, tipo como meu professor de matemática falou, com pessoas mais compromissadas e tal... espero que essa minha "burrice" em inglês não me prejudique muito. Quer saber: não vou ficar correndo atrés de minguém não... eu estou escutando o meu celular avisar que tem ligações perdidas... puts... minha mãe deve estar com muita raiva...
Tomara que dê tudo certo lá na SAE... tô com medo de eles implicarem com a renda dos meus pais...
Que merda... meus pais não são ricos, poxa! Ai meu Deus! Eu devia ter pego o celular, espero que a Carina* chegue logo. Pior é que eu sei que ela não vai chegar logo... Mas então alguma das garotas que moram aqui...sei lá, ou alguém chegue e arrombe a porta simplesmente! Mas esté muito ruim ficar aqui fora sentada com vontade de fazer xixi - sempre que fico sentada no chão me dá vontade de ir ao banheiro, pior quando é vontade de fazer cocô - poxa, se o pessoal do SAE encrencar eu tô ferrada! Será que eles vão lá em casa??
MEU BUMBUM ESTÁ DOENDO!
O pessoal de história é muito louco! Será que todos eles sabem inglês e francês? Acho que pelo menos inglês. Que merda!
Será que daqui a anos, quando eu estiver formada, vou dar risada desta minha situação horrorosa (que falta de criatividade, ou melhor, de vocabulário! Não consigo pensar em nenhum adjetivo melhor para descrever minha situação...).
Poxa vida, não consigo me lembrar do nome da garota de ciências biológicas que me ajudou... e ela parecia ser tão legal. Bom, prestativa pelo menos era: Se não não teria se movido até a Administração para me mostrar a lista.
O-que-se-rá-que-o-Bru-no*-es-tá-fa-zen-do-a-go-ra-? Não posso ficar presa ao Bruno, afinal ele é IE e eu sou IFCH. Me dá um I, me dá um F, me dá um C, me dá um H, me dá um beck! (ai, como é que se escreve essa bosta?)
Meu, cadê a Carinaaa*? Que horas são, por favor??? Até a droga do meu relógio tá lá drent dentro? - nossa, se liga no que eu quase escrevi! Credo, no curso superior e ainda escrevendo coisas do tipo... que vergonha...
Tá legal, eu não tenho mais o que escrecer... será que amanhã será tão animado quanto hoje? Como será a minha entrevista de amanhã? ........... AI! Ainda falta o meu CPF!
Meu Deus que horas são?
Pelo menos abriu um solzinho
Será que vai demorar muito ainda?
Acho que sim."
Sara*
_________________________________________________________________________________*Nomes fictícios
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Nuvem
A tua poesia não existe.
Foi um pico de imaginação ociosa
durante um vôo fundo qualquer
no seu prato raso.
A tua poesia é duvidosa.
De todo um paraíso só aprecia maçãs!
E proclama direitos
aos brados por ela
Tamanha a importância de uma costela...
A tua poesia insiste.
Sem complacência se apresenta
senta,
esquenta
a cama e
sai fria
Sem bilhete.
À tua poesia ninguém lê.
Só eu
Lírico, sabe?
Imaginação cativa...
quarta-feira, 31 de março de 2010
Que bom poder voltar às origens. Bom poder voltar. Bom é ter para onde voltar. Regressar à base, num encontro com a própria fundação e essência. Externa e interna. As pessoas que me fizeram e a pessoa que me fiz.
O entendimento de que há ligações que jamais se perdem, só se entrelaçam ainda mais num nó firme e pronto a dar o puxão até a superfície quando falta ar.
Um relembrar que existe todo um mundo dentro de mim e que seja lá em que mundo eu estiver: vai ter que me caber. Ajeita daqui, aperta de lá e pode ser laceado.
O entendimento de que há ligações que jamais se perdem, só se entrelaçam ainda mais num nó firme e pronto a dar o puxão até a superfície quando falta ar.
Um relembrar que existe todo um mundo dentro de mim e que seja lá em que mundo eu estiver: vai ter que me caber. Ajeita daqui, aperta de lá e pode ser laceado.
Há coisas a serem acrescentadas, mas não eliminadas. Não leva-se apenas o que cabe na mala ou na necesserie. Leva-se também o invisível, o subjetivo, a dor e o amor. A raiz. O magma.
Cozinhe. Mastigue. Absorva. Plante.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Haja fôlego!
Exigências da vida moderna (quem agüenta tudo isso???)
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E depois uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber………
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia. UFA !!!
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fiodental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. CAGANDO NÉ !!!
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia,
mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. TÁ DIFICILLLLL
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar das minhas amizades quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por diapara comparar as informações.
Ah! E o sexo!!!! Todos os dias, um dia sim, o outro também, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Dizer EU TE AMO, toda hora, ”ainda pego quem inventou essa neura…que saco!!!” isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação, se tiver tem que brincar com ele, pelo menos meia hora todo dia, para ele não ficar deprimido….
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes ao mesmo tempo.
Chame os amigos e seus pais, seu amor, o sogro, a sogra, os cunhados…
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Não esqueça do EU TE AMO, (Vou achar logo quem inventou isso, me aguarde).
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora você tá ferrado mesmo é se tiver criança pequena, ai lascou de vez,
porque o tempo que ia sobrar para você…meu, já era. criança ocupa um tempo danado.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro e correndo.
E já que vou, levo um jornal…
Tchau….
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.
Luís Fernando Veríssimo
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E depois uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber………
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia. UFA !!!
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fiodental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. CAGANDO NÉ !!!
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia,
mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. TÁ DIFICILLLLL
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar das minhas amizades quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por diapara comparar as informações.
Ah! E o sexo!!!! Todos os dias, um dia sim, o outro também, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Dizer EU TE AMO, toda hora, ”ainda pego quem inventou essa neura…que saco!!!” isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação, se tiver tem que brincar com ele, pelo menos meia hora todo dia, para ele não ficar deprimido….
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes ao mesmo tempo.
Chame os amigos e seus pais, seu amor, o sogro, a sogra, os cunhados…
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Não esqueça do EU TE AMO, (Vou achar logo quem inventou isso, me aguarde).
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora você tá ferrado mesmo é se tiver criança pequena, ai lascou de vez,
porque o tempo que ia sobrar para você…meu, já era. criança ocupa um tempo danado.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro e correndo.
E já que vou, levo um jornal…
Tchau….
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.
Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, 3 de março de 2010
Mais uma vez
Um corpo cala
acalma a alma
que cheia de calos
rala a rala superfície
real
Um corpo dança
andança sinuosa
de passos no espaço
de uva passas
amoras e amores
Um corpo grita
agita digita apita
num cartão vermelho
coração
Um corpo pausa
na hora do replay.
acalma a alma
que cheia de calos
rala a rala superfície
real
Um corpo dança
andança sinuosa
de passos no espaço
de uva passas
amoras e amores
Um corpo grita
agita digita apita
num cartão vermelho
coração
Um corpo pausa
na hora do replay.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Oração do pré-bixo
Pai Nosso que estais no Céu,
e que possivelmente já deve ter passado pelos vestibulares celestiais -
Com certeza mais difíceis e preciosos,
Ajudai-nos.
Pela geometria analítica
que com muito esforço lembramos,
Pelas funções, tanto as matemáticas
quanto as orgânicas
assim como as das veias e artérias
quase entupidas por chocolates
em hora de prova.
Seja feita a vossa vontade
Assim na Usp como na Unicamp
Perdoai os nossos erros gramaticais
E a nossa confusão entre Roraima e Rondônia.
Acalentai o coração de nossos examinadores
dando-lhes felicidades e risos
no dia em nos for corrigir.
Fazei com que nossa nota seja sempre
arredondada para mais.
Ajudai-nos,
Pelas horas de estudo sob o ar-condicionado gelado
Pelas olheiras acumuladas
Pelos namorados perdidos por conta do processo
Pela exclusão da vida social submetida
Ó Pai, ajudai-nos
Por sabermos diferenciar as Repúblicas
e também as chuvas convectivas das orográficas.
Perdoai deixarmos outros à lista de espera
Assim como nós perdoamos quem outrora à nossa frente passou.
E não nos deixai cair em afobação
Mas livrai-nos de mais um ano de cursinho.
Amém!
e que possivelmente já deve ter passado pelos vestibulares celestiais -
Com certeza mais difíceis e preciosos,
Ajudai-nos.
Pela geometria analítica
que com muito esforço lembramos,
Pelas funções, tanto as matemáticas
quanto as orgânicas
assim como as das veias e artérias
quase entupidas por chocolates
em hora de prova.
Seja feita a vossa vontade
Assim na Usp como na Unicamp
Perdoai os nossos erros gramaticais
E a nossa confusão entre Roraima e Rondônia.
Acalentai o coração de nossos examinadores
dando-lhes felicidades e risos
no dia em nos for corrigir.
Fazei com que nossa nota seja sempre
arredondada para mais.
Ajudai-nos,
Pelas horas de estudo sob o ar-condicionado gelado
Pelas olheiras acumuladas
Pelos namorados perdidos por conta do processo
Pela exclusão da vida social submetida
Ó Pai, ajudai-nos
Por sabermos diferenciar as Repúblicas
e também as chuvas convectivas das orográficas.
Perdoai deixarmos outros à lista de espera
Assim como nós perdoamos quem outrora à nossa frente passou.
E não nos deixai cair em afobação
Mas livrai-nos de mais um ano de cursinho.
Amém!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Balas mastigáveis
Luzes neón-vermelho,
ondas sonoras de um tal de Baleiro
a embalar-me
onde bem a frente me espelho
Um puxão:
Tentativa de furto
ao alcance de duas mãos
sobre(a)ssaltadas
Rendida sob escrituras estelares
e um mar verde-água
de energias boas e cadentes
que não caem
Há tempo...
Sempre haverá...
E a mala de viagem
não me devolverá...
ondas sonoras de um tal de Baleiro
a embalar-me
onde bem a frente me espelho
Um puxão:
Tentativa de furto
ao alcance de duas mãos
sobre(a)ssaltadas
Rendida sob escrituras estelares
e um mar verde-água
de energias boas e cadentes
que não caem
Há tempo...
Sempre haverá...
E a mala de viagem
não me devolverá...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Água - viva
Enche
enchente
encher
o céu
cedeu
cedo
o suor
saiu
e soube
voltar
a ser
o que
sempre
Foi
Gabriel Moraes.
Glub - Glub
Glub - glub...
diz o peixe
e enfim o paulistano
de água doce -
Nem tanto.
Rios-marginais
a vagar entre rodas
cálidas e descalibradas
glub - glub...
Que sertão vai virar mar o quê!
Borbulham num instante
outdors de chamamento
a cursos natatórios:
GLU-GLUB ITINERANTE.
A menina no carro chora
ao ver seu sonho afundar
Glub - glub...
- Vê se pára menina!
De com mais gotas colaborar!
- Olha o guarda-chuva!
Cinco reais! Baratinho minha gente!
Vem acoplado com caixa
de armazenamento inteligente!
Vem - pra - cai - xa - vo - cê - tam - bém!
- Glup!
São Pedro, já com certos males
da idade
não aceitou tal preceito dito
na modernidade:
Apenas dois litros por dia!
Bendita santidade!
Navegar é preciso,
Viver não...
Já dizia o poeta na areia
de congestionamentos em vãos
de fumaça.
Navegaremos então...
Solucionando literalmente o problema
Transformando-o em solução...
Glub - glub...
enchente
encher
o céu
cedeu
cedo
o suor
saiu
e soube
voltar
a ser
o que
sempre
Foi
Gabriel Moraes.
Glub - Glub
Glub - glub...
diz o peixe
e enfim o paulistano
de água doce -
Nem tanto.
Rios-marginais
a vagar entre rodas
cálidas e descalibradas
glub - glub...
Que sertão vai virar mar o quê!
Borbulham num instante
outdors de chamamento
a cursos natatórios:
GLU-GLUB ITINERANTE.
A menina no carro chora
ao ver seu sonho afundar
Glub - glub...
- Vê se pára menina!
De com mais gotas colaborar!
- Olha o guarda-chuva!
Cinco reais! Baratinho minha gente!
Vem acoplado com caixa
de armazenamento inteligente!
Vem - pra - cai - xa - vo - cê - tam - bém!
- Glup!
São Pedro, já com certos males
da idade
não aceitou tal preceito dito
na modernidade:
Apenas dois litros por dia!
Bendita santidade!
Navegar é preciso,
Viver não...
Já dizia o poeta na areia
de congestionamentos em vãos
de fumaça.
Navegaremos então...
Solucionando literalmente o problema
Transformando-o em solução...
Glub - glub...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Diário
Uma agenda...afinal, o que fazer com isso? Faz anos que não tenho uma... ela me remonta à época dos meus diários, imensos, detalhados e emocionantes! Como as minhas horas eram, até o tédio era mitológico e dramático!
Mas por fim não sei usar esse bagulho, não será um tanto quanto desperdício de papel? Não se usa todas as folhas da agenda, nem todas as linhas... e se usa a gente fica condicionado, sabe...
De repente, uma agenda: então lota-se de compromissos, coisas a serem feitas, alimentações balanceadas imaginárias, encontros e consultas médicas! Aaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Bom mesmo são as agendas telefônicas, elas dão segurança... não têm chips que pifam e nem molham com tanta facilidade. Mas não contêm a tecla excluir...
Mas darei u jeitinho! Um jeitinho de fazer que ela sirva além do que um local para se colar adesivos e fazer orçamentos do mês.
sábado, 9 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
Sobre o molhado... a sede
As pessoas podem ser classificadas a partir das bebidas que tomamos com elas. Afinal, não se toma qualquer coisa com qualquer um...claro que essa escolha nem sempre é consciente, mas há sempre aquela pessoa que tem tudo a ver com a espiritualidade que traz tal líquido.
A começar com um exemplo curioso: só há um apessoa com quem compartilhei a mistura café quente com limão e manteiga (em pequenas doses, é claro), e essa pessoa é a minha avó. Segundo a própria, essa mistura (exótica) era um santo remédio pra tal da rinite, da qual eu tinha crises horríveis (mais horríveis que o café com manteiga), então lá estava eu sempre a tomar o tal café/xarope. E minha avó me acompanhava, não por ter rinite, mas para me encorajar. E não é que por fim acabava ficando até gostosinho o tal troço, e minha avó se esforçava para segurar a careta e eu nem um pouco. Isso nos unia, enfim.
Há na bebida, quase sempre, um sentido de união: compartilhar o canudinho; beber no mesmo copo; brindar à vida; mobilização de todos da mesa quando por acidente derrama-se o líquido que escorre para o chão; açúcar ou adoçante?
Vejamos o caso da cerveja: aquilo, definitivamente, não é gostoso, se levarmos em conta o paladar amargo; no entanto, determinadas pessoas conseguem transformar esse líquido gelado em cálice divino. São as que tem aquela presença filosófica, que se intensifica ainda mais, transformando o ato de brindar em religiosidade. Aquelas que bebem a mesma quantidade, no mesmo espaço de tempo, respeitando a sintonia da conversa, corporal ou literal. As pessoas para se beber cerveja são as capazes de mudar o sentido da rotação terrestre - ou colocá-la em seu lugar.
Ah!... e as acompanhantes para o chá... chá quente, no caso. Abrindo aqui um parênteses, tomo nota de certa artificialidade que há no chá de saquinho, aquele que vem em porções indeividuais e que é sempre um mistério o conteúdo do simpático recipiente - alguém já experimentou abrir um? Por isso, apenas meio viva! à praticidade. Essas pessoas - enquanto estamos a dividir o líquido fumegante - nos transmite a efêmera sensação de calma e tranqüilidade. Impressão errônea. Essa reunião para o chá é apenas uma maneira de acalmar a água fervente que borbulha dentro de nós, e também de controlar nossa brutalidade física treinando em xícaras de porcelana. Sorvemos o chá e evaporamos segredos.
Já experimentou chamar alguém para tomar iogurte? Os iogurtes são engraçados, especialmente na hora do bigode tão característico e essencial, aquele que vai fazer a sua companhia rir e tentar te avisar de tamanho descuido. Se quiser chamar alguém para esse tipo de bebedeira, prefira aquelas que não dispensem um bom passeio pala infância - que pode ser de morango, frutas vermelhas ou pêssego - e queira rir e gargalhar com as cordas vocais amaciadas pela lactose.
Pois vamos então aos destilados, essas bebidas alcólicas extremamente ácidas para o estômago e básicas para os corações. A primeira dose nunca é aclamada sem que - ao menos - uma das partes participantes deseje quebrar ou criar rachaduras nas moralidades paralisantes... a seu próprio favor ou em favor dos favores do outro... Os destilados devem ser utilizados com moderação, devido aos potenciais, às vezes obscuros, que são capazes de trazer à tona. As pessoas para se compartilhar são as que te dão um bom dia feliz no dia seguinte e/ou que saibam rir com sinceridade de todas as baboseiras sinceras ditas no momento em que as doses foram abolidas e o gargalo tornou-se a medida exata.
Poderia ficar dissertando durante páginas e mais páginas seguidas sobre líquidos interessantes, refrescantes, aconchegantes, até preciosos, tamanha é a variedade de seres humanos e a necessidade deles em se hidratar. Desde a tão capitalista e prazerosa coca-cola até aquela água de torneira pedida no bar em dia de calor e de falta de moedas; ambas tomadas sem real conhecimento do que estamos a ingerir... entre milhares de outros líquidos conhecidos e deconhecidos... que enfim não daria conta!
Mas não poderia deixar de citar o que é exceção entre todos. Tomada em porções pequeníssimas e singelas, milimétricas...salínicas eu diria; costuma-se não ser compartilhada na degustação, por ser bebida customizada. Preferem-se os tecidos macios a tolherem os seus excessos, travesseiros, lenços, golas de camisas e similares, jamais o copo: eis aí as lágrimas. Fabricadas quando inevitável mar aquoso invade os olhos de sede, depois de tantas bebedeiras ou não.
Saúde!
Ah!... e as acompanhantes para o chá... chá quente, no caso. Abrindo aqui um parênteses, tomo nota de certa artificialidade que há no chá de saquinho, aquele que vem em porções indeividuais e que é sempre um mistério o conteúdo do simpático recipiente - alguém já experimentou abrir um? Por isso, apenas meio viva! à praticidade. Essas pessoas - enquanto estamos a dividir o líquido fumegante - nos transmite a efêmera sensação de calma e tranqüilidade. Impressão errônea. Essa reunião para o chá é apenas uma maneira de acalmar a água fervente que borbulha dentro de nós, e também de controlar nossa brutalidade física treinando em xícaras de porcelana. Sorvemos o chá e evaporamos segredos.
Já experimentou chamar alguém para tomar iogurte? Os iogurtes são engraçados, especialmente na hora do bigode tão característico e essencial, aquele que vai fazer a sua companhia rir e tentar te avisar de tamanho descuido. Se quiser chamar alguém para esse tipo de bebedeira, prefira aquelas que não dispensem um bom passeio pala infância - que pode ser de morango, frutas vermelhas ou pêssego - e queira rir e gargalhar com as cordas vocais amaciadas pela lactose.
Pois vamos então aos destilados, essas bebidas alcólicas extremamente ácidas para o estômago e básicas para os corações. A primeira dose nunca é aclamada sem que - ao menos - uma das partes participantes deseje quebrar ou criar rachaduras nas moralidades paralisantes... a seu próprio favor ou em favor dos favores do outro... Os destilados devem ser utilizados com moderação, devido aos potenciais, às vezes obscuros, que são capazes de trazer à tona. As pessoas para se compartilhar são as que te dão um bom dia feliz no dia seguinte e/ou que saibam rir com sinceridade de todas as baboseiras sinceras ditas no momento em que as doses foram abolidas e o gargalo tornou-se a medida exata.
Poderia ficar dissertando durante páginas e mais páginas seguidas sobre líquidos interessantes, refrescantes, aconchegantes, até preciosos, tamanha é a variedade de seres humanos e a necessidade deles em se hidratar. Desde a tão capitalista e prazerosa coca-cola até aquela água de torneira pedida no bar em dia de calor e de falta de moedas; ambas tomadas sem real conhecimento do que estamos a ingerir... entre milhares de outros líquidos conhecidos e deconhecidos... que enfim não daria conta!
Mas não poderia deixar de citar o que é exceção entre todos. Tomada em porções pequeníssimas e singelas, milimétricas...salínicas eu diria; costuma-se não ser compartilhada na degustação, por ser bebida customizada. Preferem-se os tecidos macios a tolherem os seus excessos, travesseiros, lenços, golas de camisas e similares, jamais o copo: eis aí as lágrimas. Fabricadas quando inevitável mar aquoso invade os olhos de sede, depois de tantas bebedeiras ou não.
Saúde!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Questionário
Sempre há um certo incômodo ao tentar responder à pergunta: " POR QUE VOCÊ FAZ TEATRO?". Como organizar e exteriorizar concretamente em palavras algo que se sente e isso basta?
Ao ouvir tal pergunta tenho enorme medo de me trair, pois os motivos não se resumem um uma resposta e sim num grupo de conjuntos diversos de respostas e sentimentos e prazeres e vontades revolucionárias. E então me embolo toda e não respondo coisa alguma! Mas afinal, por quê?
Vou tentar responder, mas antes preciso explicar que antes teatro pra mim era uma coisa, e isso no sentido em que eu via uma coisa só, e com todas as ampliações de percepção que ocorreram esse ano, percebi enfim sua multiplicidade, gerando um entendimento dos recursos do imaginário.
Em primeiro lugar, fazer teatro é a maneira que encontrei (uma das) de expandir toda essa imaginação que faz parte de mim; de transformar em realidade momentânea idéias mirabolantes; de viver além da vida; de ser mais do que sou e voltar à realidade sempre diferente de antes.
Em seguida vem a vontade de revolução, a fé na mudança pela erte, indiretamente. A vontade de soltar o nó da garganta, gritando sutilmente coisas que insistimos em não ver... ou nos ensinam a não ver... e fazer isso com gritos belos e nem por isso fracos. E pensando isso como questão social mesmo, melhor dizendo, humana, como porta para reflexões críticas e modificações concretas no di-a-dia de quem vê e faz.
E por fim (nem tanto assim...) percebi que o teatro é uma das maneiras que escolhi para lidar com a arte, assim como me é a literatura. A arte como artifício de desenvolver prazer, atitude e generosidade. Por ser uma arte que nasce da tentativa de ser completa, por sempre haver a possibilidade de unir sonoridade, plasticidade, corporiedade, literatura, imaginação e possibilidade de realidade, enfim.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Poética
de Manuel Bandeira,
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Gerenciamento de dardos
Oh! Insuportável retidão
que te espreme
ante muros de Berlim.
Sorrisos brancos
delicadamente pelos fios dentais
Antes a mordida.
Antes a fome.
Ah! Inalterável honestidade
casta:
recomenda-se aos cachorrinhos ao nascer.
Oh! Insuportável retidão
nunca abandone o guarda-chuva
ácido de um sermão...
e dos meteorologistas a previsão!
Viva dos frutos com moderação:
afinal,
das sementes
no estômago árvores crescerão...
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