"[...] Um homem que rouba nunca incomoda um homem que pede. O mendigo é a paródia inocente do ladrão. O ladrão é um mendigo vaidoso. Entre nós não surgirão rivalidades. O senhor tem coragem, arrisca-se. Eu tenho filosofia, entendo a mão. Sou mais comodista. O senhor conta, no meio dos ancestrais, Alexandre, Napoleão. Eu descendo humildemente de São Francisco de Assis."
Um dialogando com Outro.
( Trecho da peça teatral "Adão, Eva e Outros membros da família", de Álvaro Moreyra)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O que lhe parece?
Porque enfim podemos brindar,sim,com água mineral.
(Claro que isso não deixa de causar medo)
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ensaio positivo
Querendo ser o que não fui
fiz-me ser o que não era
nessa procissão cautelosa
de levar adiante.
Caminhos de rosários desenrolados
por cima de pouca (muita) fé:
Pé ante pé, por dentro
um olhar abafado.
Estou aqui.
E (quase) ninguém me tira.
Só ela.
Alice
(Criatura cênica. E vive.)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Cantos, cortinas e o vento
Acorda comigo,
vem sonhar,
Quem disse que amor não existe?
Onde não se usa cobertas,
em seu lugar cortinas
para que em nós - janelas -
entre a luz que vem do mundo.
(Talitha B.)
Gabriel Moraes
vem sonhar,
Quem disse que amor não existe?
Onde não se usa cobertas,
em seu lugar cortinas
para que em nós - janelas -
entre a luz que vem do mundo.
(Talitha B.)
Imagem limitada
na verdade transborda
como água
em meio enxurrada
até que encontra
parede rachada
lado perdido, talvez o lado
sem lado,
talvez lado que não exista
que talvez passou para o
lado de lá
talvez o lado que não tenha paredes erguidas
paredes que não tenha chão ao todo
uma casa, uma ilha,
uma casa ilhada
uma ilha chamada casa
uma casa cercada de água por todos os lados
lugar cercado de casas por todos os lados
lugar cercado de lodo por todos os cantos
os cantos cercados por lembranças....
daquilo que encanta
na verdade transborda
como água
em meio enxurrada
até que encontra
parede rachada
lado perdido, talvez o lado
sem lado,
talvez lado que não exista
que talvez passou para o
lado de lá
talvez o lado que não tenha paredes erguidas
paredes que não tenha chão ao todo
uma casa, uma ilha,
uma casa ilhada
uma ilha chamada casa
uma casa cercada de água por todos os lados
lugar cercado de casas por todos os lados
lugar cercado de lodo por todos os cantos
os cantos cercados por lembranças....
daquilo que encanta
domingo, 13 de junho de 2010
Descuido poético
"Ter é a pior forma de gostar; gostar é a melhor maneira de ter."
José Saramago
Não vires poesia...
Não seja apenas da minha imaginação
fruto que de mim ria!
Contenha-se.
Não se torne versos!
Que nada mais será que lenha se
olhares o branco papel reverso.
Não se permita escorregar
de minha caneta...
me chame pra dançar
girando a maçaneta...
Ah! Não te faças de soneto...
em rimas não te quero:
te ouvir, apenas, em som no coreto
vê se vale assim tanto esmero!
Não vires poesia...
Essa coisa inventada
que não sobrevive ao dia
e dum desvario faz-me encantada.
Sejas real nessa parte
Pois está a reclamar de cansaço o eu-lírico!
Reinventaremos a arte
Reinventaremos a arte
no próximo descuido onírico...
quarta-feira, 2 de junho de 2010
"Aqui está"
Andei lendo
relendo ao relento
que de tão rápido adormeci:
chacoalha que acorda
numa toalha de café-piquenique
xadrez sem cheque-mate,
apenas chá.
(Talitha B.)
relendo ao relento
que de tão rápido adormeci:
chacoalha que acorda
numa toalha de café-piquenique
xadrez sem cheque-mate,
apenas chá.
(Talitha B.)
Palavras, sonhos,
devaneios, pesquisas,
esquivas da vida
tudo de verão, frio,
calor, inverno,
flagelo, flama,
gelo, forma de gelo,
relâmpejo, sim e
não e então?
então como
coisas de coisificação
passeios sem razão
e agora que sei de
alucinações, ações,
realizações
e tanto mais com ões,
grilhões
o fim no fim
do corredor
o corredor no
meio do fim
o meio-fio no fim
do meio
assim.
Gabriel Moraes
terça-feira, 1 de junho de 2010
Segredo 3 (!)
Borboletas são flores voadoras
voa,
Voa, .
Pousa em mim passarinho .
Que devia se chamar passaninho.
Flores são borboletas com preguiça
Es gui
pre ça
pre ça
Beija-flores a carregar casulos:
descobriu-se o segredo da lagarta.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Saudades em pó
Para Danilo Gois
No cair
da noite
amanheceu minha saudade,
transpondo-se em
linhas
e linhas melodiosas:
escrevi-lhe.
Correram as linhas como
estradas
a ultrapassar as margens
do pardo envelope,
faces seladas a galope.
(Lembranças da idade
a viajar de cidade.)
E na grande repartição
Correspondente
milhares delas esperarão
na rodoviária de seu
destino
Antes remetente.
Maria, responsável pela
separação,
de mal-humor acordou
e no trabalho de um
tropeção
a pilha de cartas
derrubou.
O conjunto de linhas
melodiosas
ao relento e num descuido,
embaixo do armário
empoeirado se instalou.
Rosnou o cão,
rosnou o
tédio,
latiu à
falta do carteiro que não chegou.
domingo, 9 de maio de 2010
Feliz dia das mães
- Você só é mãe por minha causa!
- Você também só é filha por minha culpa!
- Ok, estamos quites.
sábado, 8 de maio de 2010
Gabriel Moraes.
Estranho pensar
que só posso
armazenar um
x de informações
e que aqueles
pensamentos bonitos
e orgânicos as
vezes foram algo de
momento e que
não deixa de ser
o que me faz ser
cada vez mais aquilo
o que não
sou
e de repente apareço
sem lembrar daquela luz
que guiou meus
dedos dos pés que
somente passei a
enxergá-los quando
senti cair a imensa caixa
da altura do meu nariz
ao primeiro fio de cabelo
do chão
Estranho pensar
que só posso
armazenar um
x de informações
e que aqueles
pensamentos bonitos
e orgânicos as
vezes foram algo de
momento e que
não deixa de ser
o que me faz ser
cada vez mais aquilo
o que não
sou
e de repente apareço
sem lembrar daquela luz
que guiou meus
dedos dos pés que
somente passei a
enxergá-los quando
senti cair a imensa caixa
da altura do meu nariz
ao primeiro fio de cabelo
do chão
sábado, 1 de maio de 2010
Como respeitar o meu próprio tempo e velocidade? Boa pergunta... não muito boa quando se têm metas a alcançar em datas determinadas e quando se sente que imprevistos e cansaços não serão levados em conta. O que importará é o levante coletivo e ação comum que levará à realização de um desejo, que não é o meu, mas deveria ser.
Um desejo que não é o meu justamente pelo seu dever embutido. Um dever de reconhecimento e participação, de capacidade e boa-camaradagem.
Mas sei que a culpa não é de ninguém, isso já aconteceu... é uma percepção recorrente e irritante que impede de dizer não e dizer sim. Lá vou eu. Já está em tempo. De respeitar meus limites sem por isso limitar-me.
terça-feira, 27 de abril de 2010
À la guache
Dolorida felicidade de lembrar,
Colorido adjetivo de se usar
Ah! Sempre uso...
Lápis aquarelas para molhar:
União de roupas boa de adormecer
Um estremecer de corpos ao entardecer
As costas das mãos a agradecer
Ai, que pressa de anoitecer!
Será que vai vir?
Ondas de um violino a tremeluzir...
Escute.
Desconhecendo o que é reagir...
Sinta o mel
Já não há mais só pulsar
no pulso e o que há?
Impulsos
de um pincel.
Colorido adjetivo de se usar
Ah! Sempre uso...
Lápis aquarelas para molhar:
União de roupas boa de adormecer
Um estremecer de corpos ao entardecer
As costas das mãos a agradecer
Ai, que pressa de anoitecer!
Será que vai vir?
Ondas de um violino a tremeluzir...
Escute.
Desconhecendo o que é reagir...
Sinta o mel
Já não há mais só pulsar
no pulso e o que há?
Impulsos
de um pincel.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
De esquina
Um pedido.
A tudo o que aspiramos ser.
Uma dose.
De tudo que chegamos a ser.
Um brinde.
Por tudo que somos mas não conseguimos ver.
Mais gelo.
A diluir tudo que podemos crer.
Outra rodada.
Afinal também precisamos amanhecer.
Ou não.
sábado, 24 de abril de 2010
O soneto de uma eterna procura
de Lucas Alves
A patologia é o que move o mundo
O sentimento de falta impulsiona
O ser humano a explorar seu fundo
E quanto mais busca, menos funciona
Nessa busca o ser se torna rotundo
Fica esférico, reconhece a si
Percebe-se reto e cai em desbundo
Fica Baco como se o mundo risse
Depois do bacanal o ser se acalma
Sereniza, reflete novamente
Olha o mundo como fosse sua palma
Sente-se inserido, informação quente
Não está completo, mas está com alma
A patologia é o que move a gente
terça-feira, 20 de abril de 2010
Poema de cristal
Pequeninos sapatos
jo gad os
esquentando o chão suavemente
num sol colhido à noite
como um buquêt.
Sapatinhos
quase
de cristal a latejar
nos olhos
quando do sonho acordar...
Agora ainda é possível
seguir seu rastro o o
caminhada derretida...
de um solado quente.
A menina dorme
e sorri.
Toda ela flores.
Toda ela abóbora.
jo gad os
esquentando o chão suavemente
num sol colhido à noite
como um buquêt.
Sapatinhos
quase
de cristal a latejar
nos olhos
quando do sonho acordar...
Agora ainda é possível
seguir seu rastro o o
caminhada derretida...
de um solado quente.
A menina dorme
e sorri.
Toda ela flores.
Toda ela abóbora.
domingo, 11 de abril de 2010
Divagações de uma principiante (Depoimento)
"1º dia na Unicamp...
Não tenho onde morar
Estou com fome
Estou com sede
Estou com vontade de fazer xixi
Se chover estou ferrada
Já perdi a conta de quantas vezes eu já molhei meu tênis: ele está fedendo à cachorro molhado...eu toda estou, eu acho...
Nossa, eu paguei o maior mico na "aula" hoje, tá bom que não era aula, mas não sei se isso piora ou melhora a situação... só português... Puts, tenho que dar um jeito de aprender inglês... se não vou ter muitos problemas...
Ai Ai... Espero que minha mãe não fique com raiva por eu ter esquecido o celular... pelo menos não com muita raiva.
Se ao menos eu tivesse com meu livro a hora iria passar rapidinho, iria voar, decolar! Eu adoro ler, estou me sentindo um peixe fora d'água. Universidade é um porre, tipo, eu queria algo mais sério, tipo como meu professor de matemática falou, com pessoas mais compromissadas e tal... espero que essa minha "burrice" em inglês não me prejudique muito. Quer saber: não vou ficar correndo atrés de minguém não... eu estou escutando o meu celular avisar que tem ligações perdidas... puts... minha mãe deve estar com muita raiva...
Tomara que dê tudo certo lá na SAE... tô com medo de eles implicarem com a renda dos meus pais...
Que merda... meus pais não são ricos, poxa! Ai meu Deus! Eu devia ter pego o celular, espero que a Carina* chegue logo. Pior é que eu sei que ela não vai chegar logo... Mas então alguma das garotas que moram aqui...sei lá, ou alguém chegue e arrombe a porta simplesmente! Mas esté muito ruim ficar aqui fora sentada com vontade de fazer xixi - sempre que fico sentada no chão me dá vontade de ir ao banheiro, pior quando é vontade de fazer cocô - poxa, se o pessoal do SAE encrencar eu tô ferrada! Será que eles vão lá em casa??
MEU BUMBUM ESTÁ DOENDO!
O pessoal de história é muito louco! Será que todos eles sabem inglês e francês? Acho que pelo menos inglês. Que merda!
Será que daqui a anos, quando eu estiver formada, vou dar risada desta minha situação horrorosa (que falta de criatividade, ou melhor, de vocabulário! Não consigo pensar em nenhum adjetivo melhor para descrever minha situação...).
Poxa vida, não consigo me lembrar do nome da garota de ciências biológicas que me ajudou... e ela parecia ser tão legal. Bom, prestativa pelo menos era: Se não não teria se movido até a Administração para me mostrar a lista.
O-que-se-rá-que-o-Bru-no*-es-tá-fa-zen-do-a-go-ra-? Não posso ficar presa ao Bruno, afinal ele é IE e eu sou IFCH. Me dá um I, me dá um F, me dá um C, me dá um H, me dá um beck! (ai, como é que se escreve essa bosta?)
Meu, cadê a Carinaaa*? Que horas são, por favor??? Até a droga do meu relógio tá lá drent dentro? - nossa, se liga no que eu quase escrevi! Credo, no curso superior e ainda escrevendo coisas do tipo... que vergonha...
Tá legal, eu não tenho mais o que escrecer... será que amanhã será tão animado quanto hoje? Como será a minha entrevista de amanhã? ........... AI! Ainda falta o meu CPF!
Meu Deus que horas são?
Pelo menos abriu um solzinho
Será que vai demorar muito ainda?
Acho que sim."
Sara*
_________________________________________________________________________________*Nomes fictícios
sexta-feira, 2 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Nuvem
A tua poesia não existe.
Foi um pico de imaginação ociosa
durante um vôo fundo qualquer
no seu prato raso.
A tua poesia é duvidosa.
De todo um paraíso só aprecia maçãs!
E proclama direitos
aos brados por ela
Tamanha a importância de uma costela...
A tua poesia insiste.
Sem complacência se apresenta
senta,
esquenta
a cama e
sai fria
Sem bilhete.
À tua poesia ninguém lê.
Só eu
Lírico, sabe?
Imaginação cativa...
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