sábado, 7 de novembro de 2009

-A moça aceita um suco?
-Tem de quê?
-Abacaxi e salada de frutas.
-Me vê um de salada de frutas.

...
-Então, moça, tá gostoso?
-Está muito doce...
-... E isso é bom?
- Não sei, não consigo explicar...
-
 

-
-

domingo, 1 de novembro de 2009

Jantar envenenado

                                               texto do meu grande amigo Carlos de Souza, poemado em conjunto.



Vivem pessoas hipocondríacas.
Há um ambiente úmido e fedido
para as suas salivas propagarem

Com suas exalações  altas,
Dramáticas
e misericordiosas
Para os que querem

Experimentar esse veneno
Salivante de vozes
Berrantes
Clamando pelo horror
e ao mesmo tempo

Pelo esplendor Horroso.

O convite não é feito:
as aclamadas vozes sobrepõem
a sua penosidade em favor
Da arte dramática.


A Sua participação é neutra.
Como veneno de morfina:
Não mais a dor senão apenas a mente para entender o sofrimento.

E a praga instala-se.




(Em você?)




(Em você.)

sábado, 31 de outubro de 2009

As bruxas estão soltas... Ainda bem.

Que tal distribuirmos vassouras??

E que o pó dos céus não se acumule.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Máscaras

O artista e sua máscara
de super-poderes
ultrasônicos
e catárticos.

Subterfúgio do limite... 
Brincar de faz-de-conta
que conta que é
e desponta!

E com inveja do gato:
Sete mil vidas, pois sim!
E com a fome do rato:
Queijo sem faca , pois sim!

O artista e sua máscara
carnavalesca
Alma mergulhada em confetes
num sopro:

Canções de mamãe eu quero.

Intercalando quartas-feiras de cinzas
e serpentinas
não-venenosas.
Renascem nessa repetição.

Passaporte para as mil e uma noites... lhe darão
Bem-dormidas
Mastigadas e
Digeridas.

Passaportes concedidos com perdão
pelos canais cerebrais
ressentidos pela razão.

A alegria de sumir
e assumir com más-caras:

Carrasco, pastor e poeta
Apenas mudando a cor
do laço de fita.

Subterfúgio do limite...
Brincar de faz-de-conta
que conta que é
e desmonta.

Já são três da manhã
e sono envia o seu chamado
Lápis, tecidos e pele

Jogados ao lado

Mãos colantes de gesso
Tornando-me o rosto espesso...

Deitar assim mesmo vou
Mereço
Deixarei os movimentos espalhados
Amanhã acordarei com outro lado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nada me faz parar. Só um beijo. Por um beijo eu paro. Me atraso, me adianto, como champnhons.

Aguçando a labirintite com uma garrafa de Contini e agora até me esqueci pelo que brindamos...mas sim da pizza com borda de gergilin: como ninguém havia pensado nisso antes?...

Um desenho feito com batata-palha no fundo do prato: borra de café no fundo da xícara: um beijo furtado, que antes percorreu a sola de meus pés, me sarapilhando pelas pernas, dando-me agulhadas de acupuntura no estômago e cócegas na garganta: sai e com razão.

É melhor escrever antes do banho, a presença do olfato muda tudo.

Nosso limite: a luz apagada. Um gato arranhava a a porta. Mordidas que doíam uma dor boa, que doíam uma dor nova. A presença Real da cama tornava o momento mais ansioso e apressado: segura forte esse segundo a tempo.


A chave da vida. Choque de  termômetros, rios levados ao mar. E o beijo já não era uma coisa à parte, era a coisa toda, era a amizade e a importância disposta em saliva no portão.


Um sorriso brilhou no escuro. Gargalha vai. E a labirintite me pegou pela manhã.

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

À Drummond

Desliguem a TV,
parem os negócios,
paralisem o trânsito:

Uma flor nasceu
no asfalto.

Paralisem.

No meio do caminho havia uma
vírgula
Havia uma
pato
no meio do caminho.

Pasmem.

Há um pato no rio Tietê.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O preto berrante.
Com seu berrante protuberante.
A olhar o céu pretuberrante.
Diz:

-Lua nova...

domingo, 4 de outubro de 2009

Emergência

de Mário Quintana



Quem faz um poema abre uma janela.

Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
 

sábado, 3 de outubro de 2009

Metáfora

Lá estávamos. A sós, finalmente... prontos um para o outro... com um desejo impaciente de senti-lo derreter dentro de mim... E lá estávamos no banheiro da escola, fugindo loucamente dos voyeurs de plantão e da tal legislação da tal escola que não permite certos atos durante a aula... Ok, confesso ter sido um ato de extremo egoísmo... não queria dividí-lo com mais ninguém, assumo com certa culpa discreta. Saciar. Só isso importava... e que fosse para o espaço a prova semestral, juntamente comigo para as estrelas...

Prontos um para o outro... o medo de um fim do mundo precoce nos desajeita, a saliva acumulada me tenta escorrer por entre o canto dos lábios e queixo... a escolha: o último box do banheiro, obviamente, bem... nem tanto, afinal o trinco quebrado de acelerar mais ainda os corações. Arranco, rasgo sua roupa... embalagem frágil e fácil... com certo amor violento e pseudoeterno devorá-lo vou...

O chocolate derrete com o calor de minhas mãos, vou levá-lo à boca... e numa fração de segundo escorrega de minhas mãos rosadas, tento em vão e com desespero evitar tal fim e desastre apertando-o com toda força de minh'alma:

Ele cai dentro da privada e eu num precipício de amargura. Levo as mãos à cabeça em suor, por um segundo penso em salvá-lo... hesito. Olho para a porta do banheiro e lá alguém escreveu a fórmula da velocidade gravitacional. Lembro-me do Alpino que está em meu bolso e tranquilizo-me. Enxugo uma lágrima que cai, misturado com o suar da emoção. Não olho para trás.



Texto original escrito em 18/09/2006, com edição atual.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

No arco da íris

"Fecho meus olhos e eles continuam abertos por dentro"
Gabriel Moraes



Fecho meus olhos:
eles continuam abertos por dentro,
Transgredindo o sono.

Sonhos num piscar.
Necessidade das pálpebras fechar:
Cílios a voar.

Lágrimas como forma de libertação
dilatada para o mundo:
Salmoura corrente na veia.

Idéia incoerente na teia
das visões alteradas e
claramente remeladas.

Fecho meus olhos:
- Conjutivite duvidosa
pelas massas, contagiosa.

Janelas

Da alma num click
fotográfico:

-Sorria, você está sendo flagrado.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A aula-teste

A aula-teste. Pois é, lá estava eu indo para uma avenida de uns três mil números! Mas para quê?! Bom, para participar da oficina teatral que tanto queria, precisava passar pela aula-teste, é, uma espécie de seleção. Se bem que... se bem que a oficina se dizia para pessoas de conhecimentos teatrais avançados... mas como isso é relativo, resolvi participar. Afinal, sou uma pessoa avançada, ou pelo menos,penso que sou.

A dita cuja aula começava às 18h30, e eu saio às 17h50... o problema se iniciou psicologicamente, pois eu havia feito a inscrição pela internet, no último dia, em cima da hora e não havia recebido nenhuma confirmação do Centro Cultural, portanto, eu não tinha certeza nem da minha inscrição. Liguei para o local, durante o dia todo, e ninguém me atendia... resolvi então, dar a cara a tapa, pagar pra ver.

Saí do curso no horário previsto e... surpresa: o céu estava caindo sob a forma de água! O maior chuvão, com direito a trânsito e metrô asfixiantes de tão lotados. Eu tinha apenas 45 minutos para chegar ao destino, se fosse num dia normal, até que conseguiria, mas...

Fui para a estação, pegar um dos três metrôs que tinha que pegar, e estava aquela muvuca esperando para entrar no vagão, que sempre estava cheio e cada metrô que chegava era aquela encoxação, foram 15 min. para conseguir entrar; na segunda estação a mesma ladainha e empurra-empurra, cada um querendo mesmo é garantir o seu lugar; já na terceira, que foi a pior, mais cheia, mais suada e decotada de todas, deveria ser a mais sofrida, mas já estava calejada por conta das anteriores. No último metrô, chegando na estação Brás, fui expelida para fora num engarrafamento humano, sem direito a defesa ou discordância : saí do metrô.

O certo mesmo era ter descido na estação seguinte, mas como meu corpo não teve escolha própria e eu percebi que já estava na tal avenida, resolvi ficar por lá mesmo, afinal a chuva já tinha parado. Quando passei a catraca, eis que começa a chover violentamente.

E lá fui eu enfrentando o aguaceiro, de guarda chuva aberto, e descobrindo o quanto era eficiente o meu tênis, que mesmo encharcado manteve firme e forte a minha meia seca! O endereço já estva na memória, e o número de destino era 1401; passei por debaixo do viaduto escuro para chegar à tal avenida e descobrir que estava por volta dos 1900's e também que teria que atravessar o extenso viaduto claro, passando por um espaço muito estreito - talvez não para um ser humano, mas sim para um ser humano com guarda-chuva, mochila, caderno e pressa. Já passva das 19h30.

Porém, me reanimei: opa! Já estva no nº 1500 e pouco, e resolvi, não sei porquê, dar uma olhadinha de leve no endereço - agora parando para pensar, nem sei porquê fui conferir, mas deve ter sido, simplesmente, uma maneira de comemorar comigo mesma a vitória de ter chegado ao destino. Abri o caderno (que estava levemente dissolvido em água) e percebi o erro cometido: o número não era 1401, e sim 2401.

E o caderno acabou se dissolvendo por inteiro.


sábado, 12 de setembro de 2009

Fada

Esvoaçantes véus...
os tomam por completo
desfazendo músculos rígidos
em caramelos macios,
e doces túrgidos.

- Ou seriam cabelos?...

Ondas em perfume...
destacam-se de obstáculos...
em vapores cor de violeta circulam,
Se reúnem em espirais azuis e mel
numa festa sinestésica:

- Por um instante, o céu?

Ilusionistas que são...
Flutuam sobre varinhas de condão,
Em suas gigantescas pupilas.
Inocentemente te segredam:

- Sim ou não?

Asas de libélula...
que alcançam o céu da boca
e num mar de sal procuram cócegas.
Aceitam tua mastigação,
com a honra e orgulho
de parecer mera imaginação...

- Pesadelos juvenis?

Uma baba doce...
Corrosiva ao extremo
se não consumida pelo a pelo,
Se não aceita como um apelo.

- Será por isso que está molhado o travesseiro?

Delicadas garras...
te arranham com suavidade...
arrancam-lhe a pele...
em meio a carinhos anestésicos
e sombras brilhantes.

- Quantas noites desejadas num só dia?

Hipnotizados pela melodia
esta que até curupira se admira,
e a qualquer um que entre folhagens a mira
em canções milagrosas...

-Sucumbira!...

Úmido e doloso:
Chorando lágrimas
de leite
e num deleite,
sussurra:
Fada...

- Bruxa?



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Acabam-se as folhas do caderno; a ponta do lápis está quebrada; a tinta secou. Mas não adianta: os pensamentos continuam brotando em minha mente e aspiram ser espelidos, e insistem em me alfinetar, em me atormentar, em confundir e fundir a minha realidade. Neurônios a mil, sempre prontos e dispostos a tudo, topam qualquer parada, ou melhor, acelerada. E se em algum instante me mantenho em silêncio... lá estão eles a me fustigar... a me obrigar a ter que dizer e sentir algo: SOCORRO ESTOU SENTINDO TUDO.
Rostos e risadas merencóricas surgem em movimentos. Coisas que poderiam ter sido. Coisas que poderiam ser. E o que é, afinal? A obrigação de ser vulcão, destruindo e adubando para que nasça outra vegetação, que não é a minha. Vontade de covardia. Vontade de não produzir nada, de não ter que ser nada, de não projetar as pessoas: lente convexa.
Aprender a escutar o que o silêncio diz. E descobrir que pode ser nada. Aceitar que há coisas que eu nunca vou descobrir. Um dia após o outro. E que seja, enfim, o segundo existente.
Comprei um caderno de dez matérias.

Sob a luz do móbile

A noite.
Ah.. as noites
As quentes de sede
As frias de mais sede ainda
As secas encharcadas de orvalho...

A lua pendurada
Móbile sob ação do vento
Sob ação do sopro
Sob ação do hálito

Ah... a noite...
Nela mora a inspiração
Nela mora a conspiração
Do sono contra nós.

De dia, apenas
Acende-se a luz...
A noite?
A noite é natural

E os sonhos...
eis o que há de mais real.


Escrita em 20/09/07

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quiromancia

Sob a palma da mão quente,
Deslizo-me inteira
Num simples tocar de polegares.
Supresa por assim estarem
Tanto tempo ausentes.

Chama de vida:
Ora fogueira ardente,
Ora brasas de sarau
Calores que avermelham a face,
Colorindo a visão esverdeada.

Minhocas coloridas
Nele brotam como pensamento
Umas obstruindo orelhas e olhos:
Hálito distante
de uma conversa dolorida.

Outras
Enrolam-se por entre dedos e braços
Desfazendo-se em fitas
e perigosas impressões manuscritas.

E por fim há aquelas
Que puxando-o delicadamente
Pelos calcanhares...
Levando-o a escalar prédios
De até mil andares.

Entre elas
Lá estou.
Benditos sejam
Oh! Polegares!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A televisão esmaga as minhas canetas.
Num ficcionismo realista demais nos confunde.
Com uma realidade sem final feliz nos frustra.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Toda opinião própria é intransigente.


Você há de concordar comigo... não?

Armadilha

Desejo de unir quatro pontas,
onde a cerveja já não tem mais gosto,
onde ter a visão turva
fica sem Sentido.

Abrindo o guarda-chuva
duvidando dos céus a queda.
A sede insubstituível:
que venha mesmo já quente.

Nenhum medo, de repente
Nem arrependimento.
Apenas a dolorida certeza
de ter sido o suficiente.

Quadrilha sensível ao toque
da pele.
das almas.
dos cigarros embriagados
pela nossa presença.

Que dançou até o fim
num vai-e-vem ritmado
a risos e bocejos:
Entre lápis e lençóis
jamais descansados.

Entre lágrimas e sofás
jamais desbotados.
Entre cartas e gatos
jamais recatados.

Entre gritos e cochichos
jamais abafados.
Entre sentimentos
um tanto o quanto afetados.

Unidos pelas mãos.
Afastados pelos pés.
Dificultados pela nova trilha.
Insubstituíveis que são
tendo a saudade como minha armadilha.